Guia para criação de histórico - Espaço Livre (Off-Topic) - Tagmar
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Guia para criação de histórico Opções
#1 Samyaza Enviado : 06/04/16 22:57
Pessoal, fiz esse questionário para a aventura que vou narrar, vou postar aqui pois pode ajudar outros narradores e jogadores. Não sou historiador então pode ter alguma informação equivocada já que minha fonte de pesquisas foram mais sites de RPG do que bancos de dados de universidades.

Objetivo
Propor o desenvolvimento de um personagem mais verossímil, com relações pessoais, objetivos, medos e outros fatores que garantam uma personalidade mais viva levando o personagem além das estatísticas da ficha de personagem.

Método
Condução do histórico através de perguntas reflexivas sobre o personagem, ajustando-o à realidade do cenário.

Por quê?
RPG é um jogo sobre contar histórias, não importa vencer ou perder, a narrativa em si é mais importante. Para os jogadores a narrativa começa a partir do momento em que eles e o mestre de jogo se reúnem para a sessão. Para os personagens porém, a narrativa começa antes, quando os deuses lhes dão o sopro da vida e segue, a partir dali até que Cruine decida por tê-los ao seu lado, logo, algumas informações sobre esses momento anteriores à primeira sessão dos jogadores precisam ser preenchidas.

Aviso
A maioria dos jogadores, no quesito histórico do personagem, pode ser dividir em dois tipos:

1 – Aqueles que não se importam com o histórico do personagem e escrevem o mínimo desejado pelo narrador para meramente cumprir o histórico. Como consideram o histórico uma frivolidade, dificilmente desenvolvem algo interessante, caindo na mesmice ou nos absurdos.

2 – Aqueles que se importam demais com o histórico do personagem e escrevem o máximo possível, pois acreditam que um histórico bem desenvolvido torna seu personagem melhor que o dos demais. Por considerarem os detalhes do personagem importantes demais acabam por escrever em demasia obrigando o narrador a ignorar boa parte do que foi escrito para evitar que o passado desse personagem oblitere os demais personagens.
Tente não ser nenhum dos dois tipos, se você é do tipo que não liga para histórico, se esforce para responder às perguntas deste documento e o mestre de jogo terá um mínimo possível para conduzir uma narrativa levando em conta o histórico do seu personagem.

Se você é do tipo que adora escrever históricos longos, não tem problema também, apenas se esforce para não se perder e deixar de responder alguma questão e também esteja preparado para o mestre de jogo não fazer uso de tudo o que você escreveu.

Como responder às perguntas?
Não há necessidade de responder à todas as perguntas, responda apenas aquelas que se aplicam ao seu personagem. Também não há necessidade de justificativa, procure ser direto e objetivo ao responder, se desejar um histórico com caráter mais literário, depois de responder as questões use as respostas para redigir seu texto.

Concentre-se principalmente na coerência e evite a negação completa, por exemplo, se for perguntado se seu personagem tem alguém a quem ele ame (qualquer tipo de amor), é bem possível que o personagem não tenha uma pessoa assim mas é impossível que ele não guarde o mínimo de atenção a alguém, mesmo que seja o dono da armoaria onde ele costuma comprar suas espadas e conversar um pouco.

Seu personagem é importante e se destaca dos demais
Aqui cabe repetir o que está descrito no manual de regras:
“...pois um centésimo da população tem o potencial de ser um herói, alguém maior que a vida, cuja memória continuará após a sua morte. Estes parias idolatrados são os "aventureiros", indivíduos cujas capacidades são maiores que as das “pessoas normais”. Os personagens vividos pelos jogadores fazem parte deste seleto grupo e por isto exercem profissões especiais, profissões de "aventureiros".

Tenha sempre isso em mente, seu personagem é diferente da maioria da população. A maioria dos nobres gasta para ensinar os seus descendentes e esperam que esses tragam orgulho para sua família, esses filhos de nobres por terem condições (tempo e recursos principalmente) para desenvolverem habilidades geralmente estão entre esse 1/100 da população que é especial. Porém, pode acontecer de uma pessoa de família simples simplesmente nascer talentosa, nestes casos é comum ocorrer algo parecido com o mecenato, uma família rica ao reconhecer o talento tende a “adotar” a pessoa investindo nela seus recursos, afim de que esta engrandeça o nome da família. Nem sempre a adoção precisa partir de uma família, ela pode vir de uma organização militar, religiosa, artística, etc. O fato é que, um filho é um fardo para uma família pobre, a criança por mais talentosa que seja necessitaria cedo ou tarde de recursos que sua família talvez não fosse capaz de subsidiar para a prática do seu talento, se fosse possível dar a criança para alguma pessoa ou organização que pudesse “aproveitá-la” isso seria o ideal para todos os envolvidos, a família teria um custo menor, a criança poderia desenvolver o seu talento e o “mecenas” teria seu nome reconhecido sobre o talento da criança.

1 – Onde o personagem nasceu?
A “menor” resposta aqui seria informar o reino de origem do personagem, porém, a resposta ideal é informar a “unidade federativa” (não encontrei termo melhor) de nascimento. O personagem nasceu num povoado, aldeia, vila, cidade ou grande cidade?

Essa definição tem importância pelo fato do personagem ser um “herói” (alguém com estágio), por exemplo, num povoado de até 100 habitantes o personagem é o único “herói” local e suas ações reverberam muito mais, provavelmente os moradores locais tem uma opinião formada sobre ele que pode ser de admiração, medo, respeito, etc de acordo com as atitudes do personagem.

Agora se o personagem nasceu numa grande cidade de mais ou menos 25000 pessoas, ele está apenas entre 250 pessoas que se destacam, ele poderá ser reconhecido pelo cargo que ocupa (pode fazer parte do exército, ser um nobre, membro do templo local, etc.) mas pouco provável que será reconhecido pelo seu nome e pelas suas ações, como seria num povoado.
Neste momento provavelmente o jogador escolhe sua raça já que muitas vezes o local de nascimento pode ser restringindo pela raça. Algumas exceções são possíveis (já vi personagem humano que foi criado por um anão), mas nem todas elas (pouco provável que um não-elfo seja criado em Âmien e muito menos em Lar, então o ideal é que se escolha agora a raça e verifique se ela é compatível com o local de nascimento desejado.

2 – Como foi a infância do personagem?
Não queremos detalhes, apenas coisas básicas, como exercício para essa pergunta pare por um momento e tente se lembrar da sua infância, você é capaz de descrever com detalhes cada experiência ou o que lhe vem a mente são apenas os momentos mais marcantes? Bem, são esses momentos que importam e devem estar no seu histórico.

Defina quem são seus pais e quais as profissões deles? Isso importa pois é hábito que os pais passem a seus filhos seus conhecimentos de ofício e isso pode influenciar na escolha das habilidades do personagem. Informe se seus pais ainda estão vivos, se ainda moram no mesmo local, se o personagem teve irmãos ou amigos importantes e o que sentia sobre eles. Lembrando que nem sempre uma memória precisa ser boa, é provável que você se lembre de muitas inimizades correto?
Seu personagem também deve ter tido algumas brigas quando criança. Não esqueça também que ele pode ter alguém por quem seja ou tenha sido apaixonado, Kerdal por exemplo tem um amor não correspondido num dos contos de Tagmar quando ele ainda estava se tornando um herói.

Nesse momento provavelmente o jogador define seus atributos pois são eles que determinarão que o personagem é uma pessoa diferente dos demais e qual o seu talento.

3 – Como e quando o personagem começou a ser treinado?
Por mais talentoso que uma pessoa seja, é pouco provável que ela seja uma autodidata eficiente, o mais comum é que alguém a tenha treinado em sua profissão aventureira, explique quem foi o seu tutor? Foram seus pais ou alguém de sua família? Foi alguém de fora? Qual a relação do personagem com essa pessoa? Ele precisou deixar o seu lar ou a sua cidade? Por que essa pessoa escolheu treiná-lo? Como foi o treinamento? Quanto tempo levou? O que aprendeu? O que ele pensa sobre outras pessoas de sua profissão?

É importante salientar que é nessa fase que o personagem desenvolve a maior parte de suas habilidades, então é aqui que se justifica os pontos gastos na ficha de personagem com habilidades, técnicas de combate, grupos de armas, magias e etc.

4 – O que ele fez depois do seu treinamento?


Pode ser que o personagem ainda esteja sob tutela de alguém que o ensinou ou da organização onde ele treinou, mas é fato que agora ele já terá um pouco mais de autonomia. O personagem voltou para a casa ou cidade dos seus pais? Ele continua morando no mesmo local onde foi treinado? Mudou-se para outro local? Por qual motivo? Ele trabalha? Como exerce a profissão? O que ele faz com o que aprendeu? Como é o local onde ele mora atualmente? Ele gosta de lá? Por quê? Ele tem posses? Quais? Neste momento o personagem basicamente se fixa, se não fosse um herói é provável que a partir desse ponto sua vida caísse na rotina até os últimos dias de sua vida.

5 – Quais são os relacionamentos do personagem?
Poucas as pessoas se tornam ermitões, mesmo o mais arredio rastreador teve um tutor e cedo ou tarde esbarra com caçadores, viajantes, outras rastreadores, raças inteligentes que vivem nas florestas e nesses momentos ele é obrigado, mesmo que minimamente a se socializar. O que desejamos saber é quem importa para o personagem atualmente?
Quem foi/é importante para o personagem? Por quê? Quais amigos ele fez? O que esses amigos fazem da vida? Onde eles moram? Ele se casou? Com quem? O que essa pessoa faz? Como é o relacionamento entre vocês? Tiveram filhos? Quantos? O que você ensina e o que você espera deles? Ele fez inimigos? Quantos? Quais? Por quê?

Importante lembrar nem sempre um inimigo precisa ser uma pessoa, pode ser um grupo de pessoas ou uma organização e que nem sempre a relação de inimizade leva a morte, talvez seja apenas alguém que compete com o personagem dentro de sua área, claro, nada impede de ser alguém que vai sacar a espada e partir para cima do seu personagem assim que vê-lo.
6 – Qual a expectativa do seu personagem?

Qualquer pessoa que não tenha nenhuma expectativa cai em depressão rapidamente e pode morrer por isso, sendo uma pessoa especial entre as demais com certeza seu personagem tem algum objetivo ou meta que deseja cumprir, é isso que desejamos saber, o que ele almeja?
Qual é o objetivo do personagem? Ele faz planos para isso? Quando pretende cumpri-los? De que forma? Ele depende de algo ou alguém para isso? O que pode atrapalhá-lo? Ele cogita falhar? Qual o peso do fracasso para ele? Ele possui algum medo? Qual? Por quê?

7 – Quais os gostos do personagem?
Toda pessoa tem preferências e manias, seja por roupas, objetos ou até mesmo por animais. Quais são as preferências do personagem? Ele tem algum passatempo? Qual? Algum vício? O que ele faz nas horas de lazer? Que tipos de comida ele gosta? O que gosta de vestir? Qual a sua religião e quão importante ela é na vida do personagem? Quais os tipos de pessoas mais lhe chamam a atenção como amigos, inimigos e amantes?

8 – O personagem já interagiu com os outros personagens jogadores?
Essa pergunta existe para facilitar a vida do mestre de jogo e dos próprios jogadores, é bem possível que um jogador prefira afirmar que seu personagem não conhece os demais personagens ainda, porém, isso terá um preço: desconfiança. Quando um jogador escolhe essa opção ele obriga o narrador a inseri-lo no grupo de uma forma mais bruta, dependendo muito da narrativa pode até ser forçada, então o preço que este jogador paga por isso é a desconfiança dos demais jogadores. O mestre de jogo deve cobrar que os personagens desconfiem do estranho, lembrando que desconfiança não é desejo de matar ou impossibilidade de se aliar, mas é bem provável que segredos não sejam revelados com o personagem estranho e que espólios não sejam divididos e na hora de escolher entre usar Curas Físicas ou Heróicas num amigo e num estranho, sempre prevalece o amigo.

Quando os personagens já se conhecem é importante que os jogadores determinem como e onde isso aconteceu. Quais foram os resultados desse encontro? Os personagens ainda mantém contato entre si? Eles tem algum tipo de elo, dívida ou segredo? Quais as principais diferenças e semelhanças entre eles?

Lembrando que um personagem não é obrigado a conhecer todos os outros personagens, mas recomenda-se que ele escolha pelo menos um deles.
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